É urgente um novo modelo de cuidados para os idosos. É preciso reinventar o apoio domiciliário

Realizou-se no passado dia 15 de janeiro de 2021, por videoconferência, o workshop “Família”, integrado no projeto Viseu 2030 – 99 ideias para o futuro. A inicitiva contou com mais de 70 participantes convidados em representação de várias organizações sociais, associações, universitários, e especialistas convidados que tiveram um vivo debate e apresentaram muitas propostas para a estratégia de médio prazo para Viseu.

O workshop foi aberto pelo Presidente da Câmara Municipal de Viseu, António Almeida Henriques, tendo este considerado que “Viseu deve ter orgulho no trabalho realizado nos últimos anos no apoio ao envelhecimento ativo e saudável e na dinâmica de voluntariado que foi criada”. “O nosso objetivo é ter pelo menos uma IPSS em cada freguesia, apesar de já termos hoje 53 organizações sociais em atividade”, afirmou António Almeida Henriques.

O Presidente da Câmara defendeu também uma maior intervenção do Município nas áreas sociais, com vista a ser possível encontrar uma resposta estruturada e adaptada às consequências sociais e económicas da atual crise de saúde pública motivada pelo COVID-19.

No início dos trabalhos, também a Vereadora do Município de Viseu, Cristina Brasete, fez uma detalhada e ilustrada apresentação sobre os vários programas de apoio aos idosos que o Município de Viseu tem vindo a desenvolver, os quais “não pararam com o confinamento, apenas foram adaptados e dinamizados”.

O COVID-19 tornou evidente o preconceito quanto aos idosos. A alternativa ao investimento de milhões de euros na criação de estruturas residenciais para idosos está na promoção do envelhecimento em casa”, defendeu José Carreira, Presidente das Obras Sociais de Viseu e perito convidado para o workshop “Família”, dedicado ao tema do envelhecimento.

Faz sentido investir em grandes equipamentos onde residam dezenas ou mesmo centenas de idosos?”, questionou José Carreira. “Não defendo a institucionalização. É preciso apostar na prestação de serviços em casa das pessoas idosas”, salientou.

Lia Araújo, especialista em gerontologia e colaboradora habitual das iniciativas do Município de Viseu, alertou para os impactos da pandemia que “serão mais sentidos nos próximos 20 anos, nomeadamente nas gerações com 60, 70 e 80 anos”. “Vamos ter que dar uma grande atenção às sequelas invisíveis, à diminuição do acompanhamento, ao sedentarismo, ao isolamento, à perda do sentido de utilidade”, alertou.

Lourdes Bermejo, perita em intervenção social integrada, assinalou a necessidade de refletir sobre a resposta a dar aos atuais problemas no plano das organizações que prestam cuidados, no plano individual junto dos familiares, dos vizinhos, dos amigos, e também como cidadãos.